quarta-feira, 7 de outubro de 2009

1milhão para banda ,2.2 milhoes em marketing

Recentemente eu li um
artigo (http://dir.salon.com/tech/feature/2000/06/14/love/index.html?pn=1)
escrito pela cantora Courtney Love, onde ela fornece uma
explicação bem interessante do relacionamento dos artistas
com a indústria musical, pirataria, mp3, napster e outros
assuntos relacionados.

Eu tomei a liberdade de traduzir alguns trechos bem interessantes:

Hoje eu quero falar sobre pirataria e música. O que é pirataria?
Pirataria é o ato de roubar o trabalho de um artista sem nenhuma
intenção de pagar por ele. Eu não estou falando de softwares tipo
Napster.

Eu estou falando dos contratos com as grandes gravadoras.

Eu quero começar com uma estória sobre bandas de rock e
gravadoras, e fazer algumas contas baseadas no que os contratos
estabelecem:

Esta estória é sobre uma banda que consegue um ótimo acordo de
royalties de 20 por cento e um adiantamento de um milhão de dólares.
(Nenhuma banda jamais conseguiu vinte por cento de royalties, mas
vamos lá). Esta é a minha matemática "engraçada" baseada em alguma
realidade e eu apenas quero qualificá-la dizendo que eu sou positiva
em acreditar que é uma matemática melhor do que a aquela que Edgar
Bronfman Jr (Presidente e CEO da Seagran, que é dona da Polygram),
iria oferecer.

O que acontece com o milhão de dólares?

Eles gastam meio milhão para gravar seu album. Isto deixa a banda
com U$ 500.000 dólares. Eles pagam U$ 100.000 ao seu gerente, uma
comissão de 20%. Eles pagam U$ 25.000 ao seu advogado e gerente de
negócios.

Ficam U$ 350.000 para os quatro membros da banda dividirem. Após
pagarem U$ 170.000 em impostos, ficam U$ 180.000. O que resulta em U$
45.000 por pessoa.

São U$ 45.000 para viver por um ano até que o disco seja lançado.

O disco é um grande sucesso e vende um milhão de cópias. (...)

Então, esta banda lança dois singles e faz dois vídeos. Os dois
vídeos custam um milhão de dólares e 50 porcento dos custos de
produção dos vídeos são deduzidos dos royalties da banda.

A banda recebe U$ 200.000 em apoio para o seu tour, dinheiro que
deve ser inteiramente reembolsado.

A gravadora gasta U$ 300.000 promovendo o album em radios
independentes. Você tem que pagar por esta promoção para que sua
música toque nas rádios; promoção independente é um sistema onde as
gravadoras usam intermediários de forma que elas podem fingir não
saber que as estações de rádio -- o sistema unificado de difusao --
são pagas para tocar suas músicas.

Toda esta promoção independente é paga pela banda.

Como o adiantamento original de um milhão de dólares também tem
que ser pago, a banda deve dois milhões para a gravadora.

Se todos os discos do total de um milhão são vendidos a preço
cheio, sem descontos ou clube do disco, a banda ganha dois milhões em
royalties, pois os seus 20% de royalties representam U$ 2 por disco.

Os dois milhões de dólares em royalties menos dois milhões em
despesas que a banda tem que pagar resulta em .... zero!

Quanto ganhou a gravadora?

Eles conseguiram aproximadamente U$ 11 milhões.

O custo de fabricação dos CDs é de U$ 500.000 e eles adiantaram um
milhão para a banda. Some-se a isto um milhão em custos dos vídeos, U$
300.000 promovendo o disco nas rádios e U$ 200.000 para o tour da
banda.

A empresa pagou também U$ 750.000 em royalties para publicação da música.

Eles gastaram U$ 2.2 milhões em marketing. Isto é em sua maior
parte propaganda no varejo (...)

Some tudo e você verá que a gravadora gastou U$ 4.4 milhões de dólares.

Então o seu lucro é de U$ 5.6 milhões; a banda vai ter que arrumar
emprego em uma loja de conveniência.

E ainda mais:

As quatro maiores gravadoras patrocinam a RIAA. Estas empresas são
ricas e obviameente bem representadas. Os artistas e músicos das
gravadoras não possuem dinheiro para competir. Os 273.000 músicos dos
EUA ganham em média U$ 30.000 por ano. Apenas 15% dos músicos da
Federação Americana de músicas trabalham exclusivamente com música.

Mas a indústria de música é um negócio de U$ 40 bilhões de dólares
anuais. Um terço desta renda vem dos EUA. A venda anual de fitas, CDs
e video são maiores que o produto interno bruto de 80 países. Os
americanos tem mais tocadores de CDs, radios e videocassetes do que
banheiras.

Estórias e mais estórias são contadas a respeito dos artistas --
alguns deles nos seus 60 ou 70 anos, alguns deles autores de sucessos
enormes que todos nós apreciamos, usamos e cantamos -- vivendo na
pobreza total, sem ter nunca recebido nada. Sem ter acesso a um
sindicato ou um plano básico de saúde. Artistas que geraram milhões de
dólares para uma indústria morrem quebrados e esquecidos.

E eles não são atores ou participantes. Eles são os donos de
direito, originadores e executores de suas composições originais.

Isto é pirataria.

E ainda:

Foram baixadas pela internet, no último ano, um bilhão de músicas,
mas as vendas subiram. Onde está a prova de que os downloads
prejudicam os negócios? Os downloads estão criando mais demanda.

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